A Anthropic pretende fincar operação própria no Brasil em 2026, com base em São Paulo, num passo que amplia a disputa local com a OpenAI no mercado de inteligência artificial. A companhia, conhecida pelo Claude, avalia que a presença física deve aproximá-la de clientes corporativos e startups da América Latina em uma fase de expansão acelerada. As informações são da Exame.
A instalação do escritório ganhou tração após falas de executivos da empresa no evento Brazil at Silicon Valley, realizado nos Estados Unidos.
O Brasil ocupa hoje uma posição de destaque estratégico para a empresa. O país aparece como o terceiro principal mercado do Claude, atrás somente de Estados Unidos e Índia. A empresa já começou a buscar profissionais para a frente comercial em São Paulo, numa indicação de que quer construir relacionamento mais próximo com unicórnios e empresas de crescimento acelerado da região, inclusive com oferta de suporte e créditos para uso da plataforma.
A movimentação coloca as duas maiores startups de IA generativa do mundo frente a frente no mesmo território. A chegada da Anthropic tende a colocar as duas maiores startups de IA generativa em disputa direta no mesmo centro empresarial do país. A OpenAI, criadora do ChatGPT, também trabalha para consolidar estrutura própria na capital paulista, o que transforma São Paulo em novo ponto de concorrência entre as companhias.
A rivalidade entre as duas vai além da tecnologia e dos preços. Nos últimos meses, a empresa liderada por Dario Amodei passou a explorar publicamente diferenças de posicionamento em relação à concorrente, especialmente em temas como publicidade em assistentes de IA e acordos institucionais com o governo dos Estados Unidos. Do outro lado, Sam Altman tem sugerido que a rival adota uma estratégia menos aberta de difusão da tecnologia. A disputa, que já incluía modelos, contratos e narrativa pública, agora caminha para uma briga por presença física, clientes e influência no mercado brasileiro.
O avanço no Brasil coincide com um momento de forte aceleração financeira da companhia. A receita anual da empresa passou de US$ 9 bilhões para mais de US$ 30 bilhões em poucos meses. Também avançou o total de clientes que desembolsam ao menos US$ 1 milhão por ano com o Claude: esse grupo saiu de 500 para mais de mil companhias em um intervalo curto.
O cenário reforça o peso crescente do Brasil na corrida global pela IA. Com dois dos maiores players do setor mirando São Paulo como base de operações na América Latina, o país se consolida como um dos principais campos de batalha da próxima fase da inteligência artificial corporativa.