A Nvidia fechou uma parceria com a startup norte-americana Span para instalar pequenos data centers no quintal de casas e em pequenos negócios. A proposta pode transformar residências comuns em centros de dados descentralizados, conectados a provedores de nuvem com inteligência artificial.
A solução tem nome e forma definidos. Chamados de XFRA, esses pequenos centros de dados podem ser instalados em basicamente qualquer lugar. O objetivo da Nvidia com o projeto é fazer essas instalações nas laterais e nos quintais de imóveis para que provedores de nuvem com IA possam extrair energia e acessar a rede. Visualmente, o equipamento lembra a estrutura de um ar-condicionado externo.
A ideia já saiu do papel. A proposta já entrou na fase de testes com o auxílio da construtora PulteGroup. Para ser implementado, é necessário um painel elétrico, o próprio XFRA, uma bateria de backup e, em alguns casos, até placas de painéis solares.
O modelo de funcionamento é inteligente do ponto de vista energético. Os pequenos data centers operam absorvendo a capacidade elétrica não utilizada dos imóveis onde são instalados — aproveitando energia que simplesmente seria desperdiçada. Uma rede de nós dessa solução poderia equivaler a um centro de dados de pequeno ou médio porte, segundo a startup.
A motivação por trás da iniciativa está diretamente ligada ao gargalo de infraestrutura que a IA vem criando no setor. A ideia surge pela dificuldade em criar grandes espaços de vários quilômetros para abrigar centenas de servidores. O custo operacional desses investimentos é altíssimo, sem contar o consumo elétrico e o gasto de água para resfriar os computadores.
As vantagens em velocidade e custo são expressivas. A companhia salienta que consegue implantar 8.000 unidades do XFRA quase seis vezes mais rápido que a construção de um centro de dados de 100 megawatts. Em relação aos valores, a empresa diz que o custo equivale a um quinto desses data centers maiores.
A iniciativa chega num momento em que a corrida por infraestrutura de IA pressiona o setor globalmente. Com data centers tradicionais enfrentando filas de espera, consumo de água e energia em xeque e custos de GPU disparando, distribuir o processamento por milhares de quintais residenciais pode ser uma das apostas mais inusitadas — e práticas — para resolver o gargalo computacional da próxima fase da inteligência artificial.