A eleição presidencial de 2026 será a primeira disputa geral do Brasil completamente imersa em inteligência artificial e isso vale tanto para os bastidores das campanhas quanto para o campo minado da desinformação. O que antes era experimentação virou estratégia. Equipes de marketing político já operam com IA para criar conteúdo em velocidade industrial, personalizar mensagens para perfis específicos de eleitores e antecipar reações do público antes mesmo de lançar qualquer material.
O que está acontecendo nos bastidores das campanhas
A Folha de S.Paulo revelou conversas com integrantes das equipes de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) — muitos deles pedindo anonimato, alegando que as informações são estratégicas. O retrato que emerge é de uma corrida tecnológica acelerada.
Uma das campanhas majoritárias conta com uma equipe de 54 pessoas dedicadas a fazer impulsionamento com nanosegmentação — conseguindo customizar uma mensagem do candidato para atingir um público alvo que teria probabilidade de passar a apoiar o político.
Para além da segmentação, a criação do conteúdo ganhou muita agilidade e apesar de os deepfakes serem a faceta mais visível do uso eleitoral de IA, é nos bastidores que a tecnologia vem fazendo transformações radicais.
O campo de batalha da desinformação
Se as campanhas oficiais tentam usar a IA com estratégia e, ao menos formalmente, dentro dos limites legais, o ambiente informal das redes sociais é outra história. Especialistas esperam um uso massivo de contas falsas para distribuir mensagens atacando candidatos, muitas delas produzidas com IA.
De acordo com informações da CNN, entre os especialistas, há consenso de que grande parte das infrações não deve partir das campanhas oficiais, mas de apoiadores, influenciadores e perfis informais. A repetição de conteúdos ofensivos, mesmo após remoções, deve criar uma “corrida de gato e rato” entre plataformas e Justiça Eleitoral.
A primeira eleição geral sob o novo marco regulatório
As eleições municipais de 2024 serviram como primeiro ensaio. A IA já está transformando as campanhas eleitorais no Brasil: com novas ferramentas, equipes conseguem produzir conteúdos mais rápidos e direcionados, criando mensagens específicas para diferentes perfis de eleitores e até simulando reações do público antes de divulgar materiais. Mas 2026 é diferente em escala: é um pleito nacional, com a presidência em jogo, e com modelos de IA muito mais capazes do que os disponíveis dois anos atrás.