A Meta deu seu movimento mais ousado até agora na corrida global pela robótica humanóide. Segundo informações do El País, a empresa anunciou a aquisição da Assured Robot Intelligence (ARI), startup americana especializada no desenvolvimento de modelos de inteligência artificial voltados para robôs físicos. Os termos financeiros não foram divulgados oficialmente, embora fontes familiarizadas com o negócio estimem que o valor ficou entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões.
Quem é a Assured Robot Intelligence
Fundada em 2022 e com sede em San Diego e Nova York, a ARI tinha um foco bastante específico e ambicioso: criar modelos de fundação capazes de fazer robôs humanoides executar tarefas físicas variadas — desde afazeres domésticos até atividades em mercados de trabalho de alto valor econômico. O que diferenciava a empresa de outras startups do setor era sua ênfase em fazer os robôs não apenas executar comandos predefinidos, mas compreender, prever e se adaptar ao comportamento humano em ambientes complexos e imprevisíveis.
A startup havia captado aproximadamente US$ 28 milhões em rodadas de financiamento, com participação de investidores como Khosla Ventures e Lux Capital, além do fundo AIX Ventures, especializado em IA.
Os nomes por trás da tecnologia
Os três cofundadores da ARI têm currículos que explicam o interesse imediato da Meta. Lerrel Pinto é pesquisador de destaque em IA robótica — ele também cofundou a Fauna Robotics, startup de robôs humanoides em escala infantil que foi adquirida pela Amazon há menos de dois meses. Xiaolong Wang é ex-pesquisador da Nvidia e professor associado da Universidade da Califórnia em San Diego, conhecido por trabalhos sobre sistemas de controle de robôs humanoides com realidade virtual. O terceiro cofundador, Xuxin Cheng, completa uma equipe com expertise rara na intersecção entre aprendizado de máquina e controle físico de robôs.
Toda a equipe, incluindo os três fundadores, passará a integrar o Meta Superintelligence Labs, o núcleo de pesquisa avançada da empresa, e também colaborará com o Meta Robotics Studio, iniciativa criada para centralizar o desenvolvimento de tecnologias humanoides da companhia.
Por que a Meta quer robôs — e por que agora
A aquisição não surgiu do nada. Pesquisadores da Meta trabalham com robótica há anos, mas a empresa nunca havia dado um passo tão concreto em direção à robótica física como produto estratégico. A compra da ARI muda esse cenário e revela onde Zuckerberg enxerga o próximo grande campo de batalha da IA.
Em publicação no X, o cofundador Xiaolong Wang resumiu a visão que animou a negociação: desde o início, a equipe soube que atingir seus objetivos exigiria treinar um agente físico verdadeiramente de propósito geral. A conclusão a que chegaram é que esse agente será humanóide e que o avanço em escala virá do aprendizado direto a partir da experiência humana. A Meta, segundo Wang, tem acesso aos “componentes-chave necessários para tornar essa visão possível.”
Um desses componentes pode ser mais literal do que parece: a Meta lançou os óculos inteligentes Ray-Ban Display, equipados com câmeras e uma tela integrada. A tecnologia de controle remoto de robôs por realidade virtual desenvolvida por Wang poderia se encaixar perfeitamente nessa infraestrutura — abrindo a possibilidade de usuários controlarem robôs humanoides por meio dos próprios óculos da empresa, complementados pela Neural Band, pulseira que traduz gestos das mãos em comandos digitais.
Uma corrida com gigantes
O movimento da Meta acontece num momento de aceleração global em robótica humanóide. A Amazon comprou a Fauna Robotics há poucos meses. A Tesla avança com o Optimus. A xAI, de Elon Musk, também explora robótica para uso público. E agora a Meta entra com força nesse mercado, trazendo consigo uma das equipes de pesquisa mais qualificadas do setor.
A intenção declarada da companhia é desenvolver tecnologias-base que possam ser usadas tanto em projetos próprios quanto por outras empresas interessadas em sistemas de IA para robôs — o que sugere uma aposta não apenas em ter o próprio robô, mas em se tornar a plataforma sobre a qual outros robôs são construídos.
A aquisição acontece em meio a um contexto interno tenso: a Meta anunciou recentemente cortes de até 8 mil empregos, parte de uma reorganização voltada a concentrar recursos justamente nas apostas de longo prazo em inteligência artificial. Os robôs, ao que tudo indica, estão no topo dessa lista.