A Xiaomi deu mais um passo na corrida global por inteligência artificial ao anunciar o MiMo-V2-Flash, seu novo modelo de linguagem de grande escala. Revelada em um evento na China, a tecnologia foi projetada para competir diretamente com sistemas consolidados como ChatGPT, Gemini e DeepSeek, combinando desempenho elevado com uma arquitetura pensada para reduzir custos e consumo de recursos. As informações são do Terra.
O MiMo-V2-Flash marca uma evolução da linha MiMo apresentada pela empresa ao longo de 2025. Segundo a Xiaomi, o modelo foi desenvolvido para lidar com uma ampla gama de tarefas, que vão desde raciocínio lógico e programação até o uso como agente automatizado e apoio a atividades cotidianas, como escrita e organização de informações.
Um dos pontos centrais do novo sistema é a adoção da arquitetura conhecida como Mistura de Especialistas (MoE). Apesar de contar com 309 bilhões de parâmetros no total, apenas uma fração deles é ativada a cada solicitação. Essa abordagem permite que o modelo entregue respostas sofisticadas sem exigir o uso integral de sua capacidade computacional o tempo todo, tornando a operação mais eficiente.
Na prática, essa escolha técnica se traduz em mais velocidade e economia. A empresa afirma que o MiMo-V2-Flash alcança até 150 tokens por segundo, característica importante para aplicações que demandam respostas rápidas, como automação de código, serviços em tempo real e agentes de IA corporativos. Além disso, o modelo suporta contextos extensos, de até 256 mil tokens, possibilitando a análise de grandes volumes de texto em uma única interação.
Para viabilizar esse desempenho sem elevar excessivamente os custos, a Xiaomi incorporou técnicas como previsão de múltiplos tokens e um sistema híbrido de atenção, que ajuda a IA a priorizar informações relevantes. Em testes internos divulgados pela companhia, o modelo apresentou bons resultados em matemática e programação, superando concorrentes específicos em avaliações pontuais, embora ainda fique atrás de sistemas de ponta em tarefas mais abstratas.
Seguindo uma tendência observada em outros projetos chineses recentes, o MiMo-V2-Flash foi lançado como código aberto. Desenvolvedores já podem acessar o modelo por plataformas como GitHub e Hugging Face, além de APIs próprias, o que facilita sua adoção em produtos comerciais e projetos de pesquisa.
A expectativa da empresa é que, no futuro, o MiMo-V2-Flash passe a integrar o ecossistema “Humano-Carro-Casa”, alimentando assistentes em smartphones, dispositivos domésticos conectados e até no carro elétrico SU7. O movimento também se alinha ao esforço mais amplo da China para fortalecer sua autonomia tecnológica em áreas consideradas estratégicas, como inteligência artificial e semicondutores.
Créditos da imagem: Xiaomi/divulgação