As universidades estaduais paulistas USP, Unicamp e Unesp estão estabelecendo normas para orientar o uso de inteligência artificial por estudantes, professores e funcionários. As iniciativas têm em comum o foco em transparência, ética e responsabilidade — e exigem que o uso de IA seja sempre declarado explicitamente, com detalhes sobre quais ferramentas foram utilizadas, suas versões e a forma como foram aplicadas.
A Unesp é a instituição mais avançada no processo: já publicou uma resolução geral sobre o tema, uma portaria voltada à pós-graduação e, mais recentemente, um guia prático para estudantes de graduação. O documento organiza as regras em três categorias: o que é permitido, o que é proibido e o que depende de contexto. Pelo guia, tarefas como tradução, resumos e reformulação de trechos são consideradas aceitáveis, enquanto entregar trabalhos gerados por IA como se fossem de autoria própria é explicitamente vedado. Vale notar que o próprio guia foi produzido com auxílio de ferramentas de IA, algo que também está registrado no documento.
Para os professores, o uso de IA no planejamento de aulas ou na correção de atividades é permitido, desde que os resultados sejam revisados por humanos. A popularização da tecnologia também levou docentes a repensar formas de avaliação: como ferramentas de detecção de textos gerados por IA ainda são consideradas pouco confiáveis, algumas disciplinas da Unicamp passaram a adotar provas orais e apresentações presenciais.
No campo institucional, cada universidade está criando estruturas dedicadas ao tema. A Unesp planeja transformar seu Laboratório do Futuro no Instituto de Inovação em Inteligência Artificial (I3A). A Unicamp criou o Centro de Referência em Tecnologias de Inteligência Artificial e deve votar a criação de um bacharelado em Inteligência Artificial e Ciência de Dados ainda este mês. Já a USP finaliza a implementação do Escritório de Inteligência Artificial e Transformação Digital, ligado diretamente ao gabinete do reitor, e colabora com o Ministério da Justiça no desenvolvimento do primeiro guia nacional de uso ético de IA.