A Ucrânia anunciou que vai compartilhar seus dados do campo de batalha com países aliados e empresas estrangeiras para treinar modelos de inteligência artificial voltados a drones militares. De acordo com a Veja, o anúncio foi feito pelo ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, que descreveu o acervo de dados de guerra ucraniano como um dos ativos mais valiosos do país e uma das suas principais “cartas” nas negociações com parceiros internacionais.
Desde a invasão russa em fevereiro de 2022, a Ucrânia acumulou um volume imenso de informações de combate: estatísticas registradas sistematicamente e milhões de horas de vídeos capturados por drones diretamente na linha de frente. O sistema OCHI, plataforma digital ucraniana sem fins lucrativos que centraliza e analisa imagens de mais de 15 mil equipes de drones, já reuniu sozinho cerca de 2 milhões de horas de filmagens desde o início do conflito. Esses dados são fundamentais para treinar modelos capazes de reconhecer padrões, identificar alvos e analisar o comportamento de pessoas e equipamentos em situações reais de guerra, algo que nenhum outro país possui em escala similar.
Para viabilizar o compartilhamento com segurança, o governo ucraniano desenvolveu uma plataforma específica que fornece conjuntos de dados constantemente atualizados — incluindo fotos e vídeos do front — sem expor informações sensíveis ou comprometer a segurança nacional. A expectativa é que a colaboração acelere o desenvolvimento de sistemas autônomos que possam ser aplicados diretamente no conflito contra a Rússia. Para Fedorov, a iniciativa é estratégica: na guerra moderna, o objetivo é superar o adversário em todos os ciclos tecnológicos.
A decisão também tem um componente político: ao oferecer seus dados como recurso valioso, a Ucrânia busca manter o interesse e o financiamento dos aliados no quinto ano de guerra em grande escala, em um momento em que outros conflitos, como o no Irã, disputam a atenção diplomática e militar do Ocidente.