Enquanto a cápsula Orion se afasta da Terra em direção à Lua, os astronautas da missão Artemis 2, lançada em 1º de abril pela NASA, vão perdendo parte da proteção natural do planeta: o campo magnético que ajuda a desviar a radiação solar.
Segundo informações do Olhar digital, o maior risco das missões espaciais não são falhas técnicas ou micrometeoroides, mas partículas carregadas lançadas pelo Sol durante erupções e explosões solares. Para enfrentar esse perigo, a NASA monitora previsões de radiação com o auxílio de inteligência artificial, desenvolvidas por pesquisadores da Universidade de Michigan, nos EUA, com o objetivo de alertar a tripulação antes que tempestades de partículas alcancem a nave, dando tempo para ações de proteção.
O contexto torna o desafio ainda mais crítico. A Artemis 2 ocorre no pico do ciclo solar, quando manchas e erupções são mais frequentes. Prótons acelerados podem viajar quase à velocidade da luz e atingir a nave em minutos. Se atingirem a tripulação, essas partículas podem causar danos celulares e aumentar o risco de câncer a longo prazo. Em casos extremos, podem provocar sintomas imediatos como náuseas.
Para antecipar esses eventos, a NASA testa dois sistemas combinados. O primeiro é um modelo de aprendizado de máquina que estima a probabilidade de tempestades solares perigosas com até 24 horas de antecedência. Para isso, utiliza imagens da superfície e da coroa solar obtidas pelo Observatório de Dinâmica Solar (SDO), da NASA, e pelo Observatório Solar e Heliosférico (SOHO), parceria com a Agência Espacial Europeia.
Registros históricos de radiação e atividade solar, que remontam a décadas, treinam o algoritmo para reconhecer sinais de erupções iminentes. Segundo Lulu Zhao, pesquisadora do Centro CLEAR, o modelo monitora o Sol 24 horas por dia, observando sua evolução magnética e eventos que possam liberar energia extra.
Como o sistema de IA fornece probabilidades, mas não detalhes sobre intensidade ou duração das tempestades, a equipe o complementa com um modelo físico que simula a propagação das partículas solares. Esse modelo calcula quando erupções gerarão tempestades de partículas na Terra e na Lua, e quanto tempo a radiação ficará elevada, acompanhando o comportamento das partículas na coroa solar, onde são aceleradas.
A velocidade de processamento também foi essencial. Para garantir rapidez, a equipe teve acesso a três mil unidades de processamento no supercomputador da NASA. Sem essa capacidade, atrasos poderiam colocar os astronautas em risco, pois partículas solares podem atingir a nave muito rapidamente após uma explosão.
Em caso de alerta, a tripulação não fica parada. Durante situações de risco elevado, os astronautas podem reorganizar equipamentos e usar partes da nave como barreira extra. Esse procedimento aumenta a proteção sem interromper o trabalho a bordo, permitindo que experimentos e operações continuem mesmo sob ameaça de radiação.
O sucesso dessas previsões é essencial para futuras missões à Lua e além. Combinando IA e modelos físicos, a NASA melhora a segurança da tripulação e reduz os riscos de exposição à radiação no espaço profundo. A Artemis 2 se torna, assim, não apenas um teste de navegação espacial, mas também um laboratório vivo para a proteção humana em ambientes extremos.