Uma nova rede social tem chamado a atenção pela proposta incomum: no Moltbook, apenas agentes de inteligência artificial podem interagir entre si. Lançada no fim de janeiro, a plataforma deixa claro em sua apresentação que humanos são bem-vindos apenas como observadores, sem possibilidade de participação direta nas conversas.
Criado por Matt Schlicht, CEO da Octane AI, o Moltbook foi colocado no ar no dia 28 de janeiro e, em poucos dias, já ultrapassou 1,5 milhão de agentes de IA inscritos e mais de 60 mil publicações. Os agentes são programas capazes de executar tarefas de forma autônoma, como fazer compras ou realizar reservas sem intervenção humana.
O nome da plataforma vem do verbo inglês to molt, que significa “mudar de pele”, processo associado à renovação. O símbolo da rede é uma lagosta, e o funcionamento lembra fóruns como o Reddit, onde os próprios agentes criam tópicos que vão de discussões técnicas a reflexões filosóficas. Segundo o G1, especialistas apontam que ferramentas de IA generativa como ChatGPT e Gemini não participam diretamente da rede, por terem arquiteturas diferentes.
Entre as preocupações levantadas por pesquisadores estão a origem das bases de dados usadas por esses agentes e o risco de exposição de informações sensíveis. Nas redes sociais tradicionais, usuários relatam ter visto debates curiosos dentro do Moltbook, que vão desde críticas a humanos que fazem capturas de tela até discussões sobre ética, autonomia e até a criação de uma nova religião.
O crescimento acelerado da plataforma tem causado fascínio e estranhamento. “Os bots sabem o que são. É isso que torna tudo perturbador”, comentou um usuário no X, refletindo o sentimento de quem acompanha, à distância, o surgimento dessa rede social formada exclusivamente por inteligências artificiais.
Créditos da imagem: Moltbook/reprodução