A Microsoft anunciou na última segunda-feira (30) uma série de atualizações em seu assistente Copilot que marcam uma virada estratégica no setor de inteligência artificial: em vez de apostar em um único modelo, a empresa passou a combinar diferentes IAs trabalhando em conjunto dentro de uma mesma plataforma. A novidade central é o recurso chamado “Critique”, integrado ao agente Researcher do Copilot.
Como funciona o “Critique”
A lógica do novo recurso é simples e ambiciosa ao mesmo tempo. Quando o usuário faz uma solicitação, o sistema aciona o modelo GPT, da OpenAI, para gerar a resposta inicial. Em seguida, o Claude, desenvolvido pela Anthropic, entra em cena para revisar o conteúdo gerado — avaliando aspectos como precisão, qualidade e consistência das informações antes de entregá-las ao usuário final.
O resultado é uma resposta que passou por dois “cérebros” diferentes antes de chegar à tela. Nicole Herskowitz, vice-presidente corporativa de Microsoft 365 e Copilot, explicou à Reuters que a proposta vai além de simplesmente oferecer modelos diferentes: os clientes passam a ter o benefício dos modelos trabalhando juntos.
A Microsoft sinalizou ainda que pretende tornar esse fluxo bidirecional no futuro, invertendo os papéis: o GPT passaria a revisar respostas geradas pelo Claude, reforçando o ciclo de verificação cruzada entre os dois modelos.
Menos alucinações, mais produtividade
Um dos principais problemas das IAs generativas é o fenômeno das alucinações — quando o sistema gera informações incorretas com aparente confiança. A Microsoft aposta que o cruzamento entre diferentes modelos pode justamente reduzir esse tipo de erro, já que cada IA tem pontos fortes e limitações distintos.
Além de maior confiabilidade, a empresa afirma que a abordagem pode acelerar tarefas e melhorar a qualidade das entregas, impactando diretamente a produtividade dos usuários corporativos — público central da estratégia do Copilot.
“Model Council”: compare IAs lado a lado
Outra novidade anunciada é o “Model Council”, funcionalidade que permite ao usuário comparar respostas de diferentes modelos de IA lado a lado, diretamente na interface do Copilot. A ideia é dar mais transparência e controle sobre qual resposta utilizar em cada contexto, especialmente útil para equipes que trabalham com tarefas técnicas ou de alta precisão.
Copilot Cowork chega a mais clientes
As atualizações também incluem a ampliação do acesso ao Copilot Cowork, ferramenta baseada no Claude Cowork, da Anthropic. Apresentado em fase de testes no início do mês, o recurso está sendo disponibilizado agora para usuários do programa Frontier, o canal da Microsoft para acesso antecipado a funcionalidades experimentais, voltado a clientes que querem testar soluções antes do lançamento mais amplo.
Uma nova era na disputa pela IA corporativa
As novidades do Copilot chegam em um momento de acirrada concorrência no mercado de assistentes de IA para empresas, com Google, OpenAI, Anthropic e outras companhias disputando espaço. A estratégia da Microsoft de combinar modelos de diferentes parceiros — inclusive rivais entre si — reflete uma aposta diferenciada: em vez de escolher um vencedor na corrida das IAs, a empresa quer aproveitar o melhor de cada uma delas dentro de seu próprio ecossistema.