Inglaterra quer IA como tutora nas escolas, mas quase metade dos professores rejeita a proposta

Pesquisa do maior sindicato de educação do Reino Unido revela que dois terços dos professores já percebem queda no desempenho dos alunos e a dependência da tecnologia é apontada como principal causa.

49% dos professores são contra tutores de IA nas escolas

66% relatam queda na qualidade do aprendizado dos alunos

450 mil estudantes em situação de vulnerabilidade s

O governo da Inglaterra pressiona pela adoção em larga escala de tutores de inteligência artificial nas escolas públicas, com o objetivo de apoiar cerca de 450 mil estudantes em situação de vulnerabilidade. Com base nas informações da Exame, a iniciativa, defendida pela secretária de educação Bridget Phillipson, promete transformar o que até hoje seria um “privilégio de poucos” em uma ferramenta acessível a todas as crianças que precisam de reforço no aprendizado.

O plano, no entanto, encontra forte resistência entre os profissionais de educação. Uma pesquisa conduzida pelo sindicato National Education Union (NEU), que ouviu cerca de 9 mil professores, revelou que 49% são contrários ao uso de IAs como tutoras na rotina escolar. Apenas 14% disseram ver vantagens claras na proposta.

O mesmo levantamento acendeu outro alerta: dois terços dos docentes entrevistados afirmam observar queda visível na qualidade do aprendizado dos alunos, e apontam o uso excessivo de ferramentas de IA — especialmente as que convertem fala em texto — como um fator central nessa deterioração. Segundo relatos de professores que preferiram não se identificar, muitos estudantes “já não sentem necessidade de aprender a soletrar”, pois delegam essa tarefa à tecnologia.

“Os alunos precisam ser capazes de pensar por si mesmos. Isso está no coração do aprendizado, mas nossa pesquisa mostra que a dependência da IA está afetando a capacidade dos estudantes de pensar criticamente.”— Daniel Kebede, secretário-geral do NEU

Enquanto resistem ao uso da IA pelos alunos, os próprios professores adotam cada vez mais a tecnologia em suas rotinas. O índice dos que utilizam IA para planejar aulas saltou de 53%, no ano passado, para 76% na pesquisa mais recente. Apesa disso, 49% das escolas analisadas no Reino Unido ainda não possuem qualquer regulamentação ou política interna sobre o uso de inteligência artificial — uma lacuna que preocupa educadores e sindicatos.

O debate reflete uma tensão crescente em vários países: como integrar ferramentas de IA ao ambiente escolar de forma que potencialize o aprendizado sem substituir o pensamento crítico, a interação humana e o desenvolvimento cognitivo das crianças. Por ora, a Inglaterra segue sem consenso — e com um projeto ambicioso que divide profundamente quem está na sala de aula.

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