Criminosos estão usando inteligência artificial para aplicar golpes cada vez mais sofisticados por meio de videochamadas. Uma servidora pública do Distrito Federal quase teve seus dados bancários roubados após atender a uma ligação em que um golpista utilizava um deepfake — tecnologia capaz de clonar imagem e voz — para se passar por um conhecido apresentador de programas de sorteio na TV.
Segundo relato divulgado pela Metrópoles, a vítima recebeu uma chamada pelo WhatsApp de um número com foto de perfil do programa Viva Sorte. Ao atender, reconheceu imediatamente o apresentador Renato Ambrosio, que anunciou um suposto prêmio de R$ 50 mil. Como a mulher realmente participava do sorteio por meio da compra de títulos de capitalização, não desconfiou inicialmente.
Durante a chamada, o golpista citou o nome completo e o e-mail da servidora, reforçando a aparência de legitimidade. Em seguida, pediu dados como chave Pix e CPF e orientou que ela compartilhasse a tela do celular ao acessar o aplicativo do banco, sob o pretexto de registrar o momento do depósito do prêmio.
A tentativa de golpe começou a ruir quando a vítima percebeu inconsistências no pedido e decidiu consultar os filhos. Eles encontraram, nas redes sociais oficiais do verdadeiro apresentador, um alerta sobre o uso indevido de sua imagem em golpes semelhantes. A ligação foi encerrada imediatamente, antes que qualquer dado bancário fosse repassado.
Apesar de não ter sofrido prejuízo financeiro, a servidora procurou a Polícia Civil do DF para se orientar. Como medida preventiva, foi instruída a verificar possíveis movimentações em seu nome por meio do sistema do Banco Central, onde constatou que não havia registros irregulares.
O caso reforça o alerta sobre o uso de deepfakes em fraudes digitais e a necessidade de cautela, mesmo quando a abordagem parece vir de fontes conhecidas ou confiáveis.
Créditos da imagem: Gemini