A expansão acelerada da inteligência artificial está provocando um efeito colateral direto no mercado de eletrônicos: a escassez global de componentes de memória. Com fabricantes direcionando grande parte da produção para data centers voltados a aplicações de IA, itens de consumo como smartphones, tablets e smartwatches devem ficar mais caros e ter lançamentos adiados.
De acordo com análises do setor, os preços da memória podem subir até 50% entre o fim de 2025 e o início de 2026. A pressão já começa a aparecer nos relatórios de mercado, que indicam impacto direto no custo de produção de dispositivos eletrônicos. Segundo a International Data Corporation (IDC), a expectativa é de retração no mercado global de smartphones em 2026, influenciada justamente pela limitação na oferta de memória, conforme destacou a CNN ao acompanhar o tema.
O movimento é impulsionado pelo boom dos data centers. Gigantes de tecnologia como Meta, Microsoft e Google ampliaram de forma agressiva suas infraestruturas para atender à demanda crescente por IA. Um estudo da McKinsey estima que os investimentos globais em data centers podem chegar a US$ 7 trilhões até 2030, aumentando ainda mais a disputa por chips e módulos de memória.
Com isso, empresas como Samsung e Micron passaram a priorizar componentes usados em servidores e sistemas de alto desempenho, reduzindo a disponibilidade para eletrônicos de consumo. A Micron, inclusive, anunciou recentemente a saída do mercado de memória voltado ao consumidor, citando o crescimento impulsionado pela IA como principal motivo.
O efeito prático deve ser sentido no bolso. Pesquisas indicam que o custo de produção de smartphones pode subir entre 8% e 10% em 2025, pressionando principalmente modelos de entrada, que operam com margens menores. Analistas avaliam que fabricantes podem adiar lançamentos ou focar em aparelhos premium, mais lucrativos.
Apesar do cenário desafiador, especialistas acreditam que a cadeia de suprimentos deve se ajustar ao longo de 2026, o que pode aliviar a pressão sobre os preços. Ainda assim, o episódio reforça como o avanço rápido da inteligência artificial está redesenhando prioridades e desequilíbrios na indústria global de tecnologia.
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