China acelera automação industrial com robôs e IA diante da escassez de mão de obra

Envelhecimento populacional, tensões comerciais e busca por produtividade impulsionam transformação do mercado de trabalho

A combinação de envelhecimento populacional, redução da força de trabalho e pressões geoeconômicas tem levado a China a intensificar a adoção de robôs e inteligência artificial em sua indústria. Segundo o Relatório sobre o Futuro do Trabalho 2025, do Fórum Econômico Mundial, mais de 90% das empresas que operam no país consideram que essas tecnologias serão centrais para seus negócios até 2030.

A diminuição contínua da população em idade ativa desde 2015 tem encarecido funções repetitivas, especialmente na manufatura e na logística, acelerando a substituição de tarefas humanas por sistemas automatizados. Ao mesmo tempo, a reorganização das cadeias globais e as tensões comerciais aumentam a pressão por eficiência, favorecendo investimentos em automação em larga escala.

A China já lidera a instalação de robôs industriais no mundo e amplia a produção com foco em escala. Em 2025, a Unitree Robotics enviou mais de 5.500 robôs humanoides para clientes globais, número que supera o volume de exportações equivalentes registrado por empresas dos Estados Unidos no mesmo período.

O avanço tecnológico também altera o perfil da demanda por trabalho. Cresce a procura por engenheiros de automação, especialistas em dados e profissionais de manutenção de sistemas inteligentes, enquanto funções operacionais tradicionais perdem espaço. A projeção é que 22% dos empregos globais passem por mudanças até 2030, com redução de tarefas administrativas rotineiras e expansão de cargos ligados à tecnologia.

Apesar do ritmo acelerado, o país enfrenta desafios na formação de talentos. Cerca de 38% das empresas relatam escassez de profissionais qualificados e defendem maior investimento em requalificação. Ao mesmo tempo, 76% pretendem ampliar seus quadros com o uso de ferramentas digitais e esperam que 43% das tarefas sejam executadas principalmente por tecnologia até o fim da década.

O movimento indica uma transformação estrutural do mercado de trabalho chinês, alinhada ao planejamento industrial de longo prazo e à busca por ganhos de produtividade, conforme destacou a Exame.

Créditos da imagem: Gemini

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