Oakland, na Califórnia, é o cenário de um dos confrontos jurídicos mais aguardados do mundo da tecnologia. Elon Musk e o CEO da OpenAI, Sam Altman, deram início nesta segunda-feira (27) a uma batalha judicial que promete expor os bastidores da desenvolvedora do ChatGPT.
O processo, movido originalmente em 2024, acusa Altman e o presidente da empresa, Greg Brockman, de terem traído a missão original da companhia ao transformarem o que deveria ser uma organização sem fins lucrativos em um negócio multibilionário voltado ao lucro.
Segundo informações do Olhar digital, as cifras em jogo são de tirar o fôlego. Com a OpenAI caminhando para uma abertura de capital com valor estimado em US$ 1 trilhão, Musk exige a destituição de Altman e Brockman de seus cargos e o pagamento de mais de US$ 134 bilhões em danos — montante que, segundo ele, seria devolvido ao braço filantrópico da OpenAI para garantir que a inteligência artificial continue beneficiando a humanidade.
A origem do conflito
A raiz do conflito remonta a 2015, quando Musk, Altman e outros fundadores criaram a OpenAI como um laboratório de pesquisa aberto, com o objetivo de impedir que empresas como o Google dominassem o desenvolvimento da inteligência artificial. Musk afirma ter investido cerca de US$ 38 milhões com base na promessa de que a tecnologia seria segura e acessível a todos.
Em sua petição, ele enquadra o caso como uma disputa clássica entre altruísmo e ganância, acusando Altman de ter aplicado um longo golpe para captar recursos antes de mudar o rumo da empresa. A relação entre os dois azedou em 2017, quando Musk tentou, sem sucesso, assumir maior controle da operação. Ele deixou o conselho em 2018 e interrompeu os aportes financeiros.
Desde então, a OpenAI decolou: lançou o ChatGPT, firmou parcerias bilionárias com a Microsoft e, em 2025, obteve autorização regulatória para se reestruturar oficialmente como empresa com fins lucrativos.
A versão da OpenAI
A empresa não poupa críticas ao ex-sócio. A defesa da OpenAI alega que Musk é movido por ciúme e arrependimento por ter deixado o projeto antes de ele se tornar um sucesso global, e que o bilionário sabia dos planos de reestruturação desde 2017. Segundo os advogados da companhia, o aporte financeiro de Musk foi uma doação dedutível de impostos, não um investimento que lhe daria direito a ações ou controle.
O julgamento
O processo, conduzido pela juíza Yvonne Gonzalez Rogers, deve durar de duas a três semanas e contará com o depoimento de grandes nomes do Vale do Silício, incluindo o CEO da Microsoft, Satya Nadella. Um júri de nove pessoas terá a missão de decidir quem está com a razão sobre as complexas cláusulas contratuais e alegações de enriquecimento sem causa.
O resultado do caso poderá redefinir não apenas o destino da OpenAI, mas também os limites éticos e legais de como empresas de inteligência artificial podem se transformar — e a quem pertencem quando o fazem.