A inteligência artificial deixou de ser uma promessa do futuro e se tornou parte do cotidiano da advocacia brasileira. É o que revela o 2º Relatório sobre o Impacto da IA Generativa no Direito, divulgado nesta semana durante evento na sede da OAB-SP, em São Paulo. O estudo — desenvolvido pelo Jusbrasil em parceria com seis seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil, a escola de tecnologia Trybe e o Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio) é considerado o mais abrangente já produzido sobre o tema no país.
Mais de 1.800 profissionais de diferentes áreas do Direito participaram voluntariamente da pesquisa.
Salto expressivo na adoção
Os números impressionam pela velocidade da mudança. Em 2026, 77% dos profissionais da área afirmam utilizar frequentemente ferramentas de IA para as atividades do trabalho, esse número era de 55% no ano anterior. Essa virada reflete uma transformação cultural profunda na profissão.
A tecnologia é usada principalmente para a produção de documentos: 76% dos profissionais utilizam IA para elaborar peças processuais. Ferramentas do tipo também são bastante usadas para pesquisa jurídica (59%), redação de pareceres e memorandos (58%) e análise e revisão de contratos (56%).
Tempo recuperado e bem aproveitado
Um dos achados mais impactantes do relatório diz respeito à economia de tempo. Advogados que usam IA economizam entre 1 e 10 horas por semana, em média. Para aqueles que economizam 5 horas semanalmente, isso equivale a 260 horas por ano, cerca de 32,5 dias úteis.
O relatório identificou que 84% dos profissionais que adotaram a IA tiveram suas expectativas atendidas ou superadas, com economia de tempo, e outros 91% perceberam melhorias na qualidade técnica do trabalho final.
Capacitação vira prioridade
A pesquisa também revela que os advogados estão conscientes da necessidade de se atualizar. Cerca de 58% classificam o aprendizado de IA como urgente ou importante, e 70% dizem que pretendem investir do próprio bolso para aprender sobre o uso de ferramentas de IA em 2026.
Ainda assim, há um gargalo significativo na estrutura das organizações: apenas 34% das organizações jurídicas possuem orçamento dedicado para a contratação de ferramentas ou capacitação em IA, o que indica que boa parte dos profissionais ainda navega por conta própria nessa transição.
As mudanças na prática
Os dados evidenciam uma transformação irreversível na prática da advocacia, com a tecnologia permitindo que os profissionais dediquem mais tempo à análise crítica, à estratégia jurídica e à construção de relações de confiança com clientes. O estudo também serve como alerta para a necessidade de integração ética e responsável das ferramentas de inteligência artificial.
Como resumiu o presidente da OAB-SP, Leonardo Sica, ao comentar os resultados: o debate já não é mais sobre se a IA será utilizada, mas sobre como integrá-la de forma estratégica ao trabalho.