As Forças Armadas dos Estados Unidos confirmaram oficialmente o uso de ferramentas de inteligência artificial avançadas durante a guerra no Irã. O anúncio foi feito pelo general Brad Cooper, chefe do Comando Central (CENTCOM), em mensagem em vídeo divulgada na quarta-feira (11), em meio a crescentes críticas internacionais sobre o impacto das operações na população civil.
Segundo Cooper, os sistemas de IA estão sendo utilizados principalmente para processar e analisar grandes volumes de dados militares em tempo muito reduzido, apoiando a tomada de decisões estratégicas em campo. O general destacou que a tecnologia é capaz de transformar processos que antes levavam horas — ou até dias — em questão de segundos. Ainda assim, ele garantiu que as decisões finais sobre alvos permanecem sob responsabilidade humana.
A confirmação chega num momento de forte pressão internacional sobre as operações militares na região. A ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel, iniciada em 28 de fevereiro, já teria deixado pelo menos 1.300 mortos no Irã, segundo dados das autoridades do país. O conflito ganhou ainda mais repercussão após um bombardeio em uma escola no sul do país que, conforme relatos, resultou em mais de 170 mortes, a maioria de crianças. A Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano afirma que os ataques também destruíram infraestrutura civil significativa, incluindo unidades de saúde, mercados e uma usina de dessalinização de água.
O cenário do uso militar de IA também expõe tensões no setor tecnológico. A Anthropic, desenvolvedora do modelo de IA Claude, recusou-se a flexibilizar suas políticas de segurança para permitir que o Exército utilizasse sua tecnologia em vigilância em massa de cidadãos americanos e em armamentos autônomos. Em resposta, o Pentágono rotulou a empresa como “risco à cadeia de suprimentos”, inviabilizando novos contratos federais e a Anthropic reagiu processando o governo americano.