Os Estados Unidos e uma empresa canadense anunciaram uma parceria para usar inteligência artificial no refino de terras raras extraídas no Brasil, com foco em aumentar a eficiência industrial e reduzir riscos operacionais. O projeto foi divulgado na última quinta-feira (15) e envolve o desenvolvimento de tecnologia no Argonne National Laboratory, um dos principais centros de pesquisa do governo dos EUA, segundo informações publicadas pela CNN.
A iniciativa aposta em um modelo digital avançado do processo industrial, criado a partir de dados reais de operação, modelos matemáticos e algoritmos de IA. Essa representação virtual permite simular o funcionamento da planta, testar diferentes cenários e antecipar falhas antes que mudanças sejam implementadas no ambiente físico, reduzindo custos e incertezas técnicas.
A tecnologia será aplicada ao Projeto Carina, localizado em Nova Roma (GO) e pertencente à empresa canadense Aclara. O empreendimento segue o modelo de argilas de adsorção iônica, no qual as terras raras estão ligadas à argila, e não a rochas duras, um tipo de depósito raro fora da China, com menor impacto ambiental e custos operacionais mais baixos.
Em abril de 2025, a empresa inaugurou uma planta-piloto em Aparecida de Goiânia para a produção de carbonato de terras raras, etapa intermediária da cadeia. O material será posteriormente enviado aos Estados Unidos para refino final em óxidos individuais, usados na fabricação de ímãs permanentes, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.
Com início de operações previsto para 2028 e vida útil estimada em 18 anos, o Projeto Carina integra a estratégia de diversificação da cadeia global de minerais críticos, reduzindo a dependência de fornecedores concentrados e ampliando o papel do Brasil nesse mercado estratégico.
Créditos da imagem: Gemini