Com a inteligência artificial cada vez mais presente no setor de seguros, empresas como a recém-lançada Provion Seguros vêm sinalizando uma mudança de paradigma no Brasil. A tecnologia, que há poucos anos era apenas uma promessa, agora permeia desde a precificação personalizada até a regulação automatizada de sinistros, trazendo benefícios diretos tanto para seguradoras quanto para os clientes.
Segundo Jaime Soares, presidente da Comissão de Seguro Auto da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), a IA já está integrada a diversas etapas do seguro auto. “Uma das principais aplicações é a telemática, que permite monitorar o comportamento de direção por meio de dispositivos instalados no veículo ou aplicativos, coletando dados como velocidade, frenagens e localização. Isso resulta em uma precificação mais justa e personalizada”, afirma.
Além da telemática, outras frentes de inovação incluem o uso de visão computacional para avaliação de sinistros — com algoritmos que analisam imagens de veículos danificados e estimam os custos de reparo com rapidez e precisão — e o atendimento automatizado por meio de chatbots e assistentes virtuais, que funcionam 24 horas por dia. A automação de subscrição, o combate a fraudes e a análise preditiva também estão entre as aplicações mais relevantes, trazendo ganhos expressivos de eficiência operacional.
“Para as seguradoras, a IA reduz custos, acelera processos e melhora a modelagem de risco. Para o consumidor, os benefícios vão desde preços mais justos até um atendimento mais ágil e transparente”, explica Soares. A tecnologia também contribui para o combate a fraudes, identificando padrões suspeitos de forma mais precisa, o que reduz prejuízos e reforça a confiança no setor.
Um dos casos mais emblemáticos da aplicação prática dessas inovações é o da Provion Seguros, insurtech brasileira que estreia no mercado com mais de R$ 10 milhões investidos em inteligência artificial e tecnologia. A startup utiliza IA em toda a jornada do cliente — da precificação dinâmica à emissão de apólices, passando por monitoramento em tempo real, regulação de sinistros e prevenção de fraudes.
“Não se trata apenas de digitalizar um produto antigo. Estamos aplicando inteligência artificial de ponta para construir uma nova lógica operacional, onde cada etapa é mais eficiente, segura e transparente”, destaca Guilherme Rezende, CEO da Provion.
A plataforma 100% digital da seguradora permite gerar cotações em menos de dois minutos e oferece cobertura robusta para diferentes tipos de eventos, inclusive para veículos elétricos, híbridos e de leilão. O sistema cruza dados comportamentais e geográficos para entregar análises preditivas personalizadas, com decisões automatizadas e resposta imediata a sinistros.
Além disso, a Provion busca democratizar o acesso ao seguro com 30 dias gratuitos para categorias específicas como motoristas de aplicativo, policiais, bombeiros e servidores públicos. A empresa, que tem sede no Rio de Janeiro, já projeta movimentar R$ 100 milhões em prêmios no primeiro ano de operação e alcançar 50 mil usuários até 2026.
Desafios e perspectivas
Apesar dos avanços, o uso da IA no seguro automotivo ainda enfrenta desafios. Questões como ética, privacidade dos dados e a precisão dos algoritmos precisam ser constantemente monitoradas. “É essencial manter uma governança robusta, com regras claras, transparência nos modelos utilizados e supervisão humana em processos críticos”, alerta Jaime Soares.
Novas tendências também começam a se consolidar, como a inteligência artificial autônoma — capaz de conduzir processos inteiros com supervisão mínima — e o uso ampliado da Internet das Coisas (IoT), que permitirá monitoramento preventivo e gestão de riscos em tempo real.
Diante desse cenário, o seguro auto no Brasil caminha para se tornar cada vez mais preditivo, personalizado e centrado no cliente.
Crédito da imagem: Agência Brasil