IA ajuda a prever desastres causados por mudanças climáticas

Tecnologias baseadas em IA estão sendo aplicadas para estimar com mais exatidão e antecedência eventos climáticos
Desastres climáticos Crédito: Pexels

Diante da intensificação das mudanças climáticas e da recorrência de fenômenos extremos, cientistas e autoridades têm adotado a inteligência artificial como aliada na previsão de riscos e na redução de danos. Tecnologias baseadas em IA estão sendo aplicadas para estimar com mais exatidão e antecedência eventos como enchentes, estiagens e altas temperaturas, viabilizando ações mais ágeis e mais eficientes em áreas suscetíveis.

O uso de inteligência artificial em modelos de previsão e análise de risco tornou-se uma das principais frentes de transformação na gestão corporativa.

A estimativa é que 72% das empresas globais já adotam IA em alguma área de suas operações, e essa adesão tem se mostrado crescente, especialmente em setores como energia, agricultura, logística e seguros. O uso estruturado de IA pode aumentar a produtividade em até 40% em alguns segmentos, além de reduzir significativamente erros operacionais e ampliar a capacidade preditiva em ambientes de alta complexidade.

O crescimento da adoção também se explica pela maturidade dos modelos preditivos, que agora incorporam não apenas grandes volumes de dados históricos, mas variáveis ambientais, econômicas e comportamentais, permitindo diagnósticos mais contextualizados.

Em países com alta dependência de fatores externos, como o clima, a incorporação de IA à leitura de cenários já não é diferencial técnico, mas instrumento essencial de tomada de decisão. Esse movimento global acompanha a rápida expansão do mercado de gestão de riscos climáticos, impulsionado tanto pela intensificação das mudanças ambientais quanto pelos avanços em IA e visão computacional.

Hoje, diversas iniciativas já estão utilizando IA para monitorar e prevenir riscos. Desde modelos climáticos avançados da NASA e NOAA até startups brasileiras que cruzam dados meteorológicos com mapas de risco urbano.
No setor de energia, usamos tecnologias preditivas para entender como o clima afeta a geração e o consumo.

“O uso de satélites com IA é revolucionário. Eles não apenas captam imagens, mas interpretam padrões invisíveis ao olho humano, como alterações sutis no nível de rios, temperatura do solo ou vegetação e transformam isso em previsões acionáveis.
Isso significa, por exemplo, identificar áreas que podem sofrer com escassez hídrica meses antes de acontecer. Para empresas de energia, isso é ouro: conseguimos prever regiões onde a geração pode cair e nos preparar para mitigar os efeitos”, diz Amanda Durante é CEO e fundadora da iGreen, empresa especializada em soluções energéticas.

Entre as empresas que estão apostando em novas tecnologias para prever mudanças climáticas está a Bossa Invest, que desenvolveu a MeteoIA, startup que criou um sistema nacional de previsão climática de longo prazo baseado em inteligência artificial e em modelos próprios, construídos a partir de dados físicos, atmosféricos e geográficos locais.

“Inteligência climática deixou de ser uma ferramenta de apoio e passou a ser um componente central na tomada de decisões de médio e longo prazo, especialmente em ambientes produtivos sensíveis a variações do tempo”, explica Paulo Tomazela, CEO da Bossa Invest.

A principal inovação da MeteoIA está na capacidade de operar com autonomia tecnológica. A ferramenta desenvolve seu próprio arcabouço técnico e estatístico, com base em padrões climáticos nacionais, topografia, tipos de solo e dinâmica atmosférica regional. Essa abordagem resulta em um sistema de previsão mais alinhado às especificidades do território, com capacidade de aprendizado contínuo e maior precisão nos diagnósticos.

O diferencial está no MIA, um sistema de IA que gera previsões precisas de variáveis adequadas à tomada de decisão com alcance de até 12 meses e com granularidade por microrregião. O sistema oferece respostas aplicáveis à gestão do agronegócio, à previsibilidade de geração energética, ao cálculo atuarial de seguros climáticos e ao planejamento logístico de cadeias de abastecimento.

Crédito da imagem: Pexels

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