A inteligência artificial está revolucionando o mercado de trabalho, automatizando tarefas e otimizando processos. Isso gera mudanças significativas nas empresas e pode causar preocupação sobre a perda de empregos. No entanto, também cria oportunidades. Especialistas destacam que, para conseguir um primeiro emprego nesse cenário, é necessário estar preparado para as novas demandas do mercado.
A IA está tornando os trabalhadores mais valiosos, produtivos e capazes de obter salários mais altos, com o número de empregos aumentando mesmo em funções consideradas mais automatizáveis, de acordo com o Barômetro Global de Empregos em IA de 2025 da PwC. O relatório se baseia na análise de quase um bilhão de anúncios de emprego de seis continentes.
Além disso, a pesquisa mostra que os setores mais expostos à IA, os salários estão crescendo duas vezes mais rápido do que em setores menos expostos.
Dessa forma, a IA pode deixar de ser o ‘bicho-papão’ para se tornar uma aliada dos trabalhadores. “Quando se fala em automação com IA, não estamos falando só de substituir trabalho braçal ou tarefas repetitivas. A grande sacada é a automação inteligente: sistemas que aprendem com dados e melhoram processos complexos, muitas vezes tomando decisões que antes só um humano conseguiria – e em uma fração do tempo”, comenta Thiago Guedes Pereira, CEO da Deserv.
Em relação a primeiro emprego, especialistas destacam que é fundamental que os candidatos entendam o papel da IA neste cenário. O diretor nacional da Prepara IA, Leonardo Andreoli, mostra como se preparar para conquistar o primeiro emprego na era da inteligência artificial listando quais as competências essenciais para se destacar em uma oportunidade mercado de trabalho. Acompanhe as dicas do especialista:
Como a inteligência artificial está transformando as profissões
Hoje, softwares fazem triagens de currículos, robôs organizam estoques e assistentes virtuais respondem clientes. Mas, ao mesmo tempo, surgiram novas funções: analistas de dados, programadores de IA, gestores de automação e especialistas em experiência do cliente. Para acompanhar essas mudanças, é preciso aprender constantemente. A combinação entre habilidades técnicas e humanas nunca foi tão importante. A IA não substitui profissionais, mas transforma a forma como trabalhamos. Adaptar-se é a chave para o sucesso.
Entre as competências essenciais para o mercado de trabalho atual está a alfabetização digital, ou seja, saber usar ferramentas básicas como editores de texto, planilhas e e-mails. Outro ponto importante é o candidato aprender rapidamente novas plataformas e apps, além de ter pensamento crítico e trazer sugestões para resolução de problemas. Quando se fala em inteligência artificial, é preciso saber analisar dados e situações com lógica, criar soluções simples para problemas do dia a dia e estar por dentro das tendências do mercado e da tecnologia. Por outro lado, a questão comportamental influencia bastante. Assim, recrutadores buscam profissionais que tenham inteligência emocional, saibam lidar bem com emoções e pressão, estejam aptos a trabalhar em equipe e se comunicar de forma clara. E como a tecnologia avança ano a ano, o recomendado é investir no aprendizado contínuo, buscando cursos e formações novas com frequência.
Como adaptar o currículo para passar pelos sistemas com inteligência artificial
Para conseguir o primeiro emprego na era da inteligência artificial, é essencial preparar o currículo pensando nos sistemas de triagem automática, conhecidos como ATS (Applicant Tracking Systems). “Muitos não conhecem, mas trata-se de um tipo de software usado por empresas para organizar e filtrar currículos automaticamente. Ele funciona como um filtro inteligente que escolhe, entre centenas ou até milhares de candidatos, quais currículos são mais compatíveis com a vaga”, explica o diretor nacional da Prepara IA.
Os ATS filtram currículos usando palavras-chave específicas do anúncio, cargos, habilidades ou ferramentas, é o famoso mercado de trabalho e inteligência artificial em ação. Uma má formatação com elementos gráficos, colunas e cabeçalhos, por exemplo, pode “cegar” os sistemas. Por isso, prefira texto simples, fontes como Arial ou Calibri, e envie o arquivo sempre em formato .doc ou PDF.
Uma estratégia e utilizar palavras-chave do anúncio no currículo, especialmente nas seções de “experiência” e “habilidades”. Alguns outros quesitos podem auxiliar nessa questão, como: quantifique realizações (ex.: “aumentei vendas em 20%”); adote cabeçalhos padrão (“Formação”, “Experiência”); converta o currículo em texto puro para ver falhas e teste plataformas como Jobscan; use IA com cautela (ChatGPT, Grammarly) para otimizar o currículo, mas revise para manter sua voz autêntica; e por fim evite “black hat” (palavras invisíveis, stuffing de keywords), pois sistemas já detectam e as rejeitam. Essas são competências essenciais no mercado atual e demonstram preparação para o primeiro emprego na era digital.
Quais áreas estão contratando mais jovens com habilidades digitais
As áreas que mais demandam jovens com habilidades valorizadas na era da IA, como programação, análise de dados e pensamento crítico, estão em expansão. Entre as que mais crescem em números de vagas estão Engenharia de Machine Learning, Inteligência Artificial e Big Data. Mas outros setores além da tecnologia também estão contratando: saúde, consultoria, finanças, serviços e até bancos estão buscando talentos digitais.
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